Muitos casais continuam juntos por
anos. Funcionam bem, dividem tarefas, criam filhos, resolvem problemas, viajam,
fazem planos. Às vezes quase não brigam. Mas isso não quer dizer,
necessariamente, que o relacionamento continue amoroso.
Uma relação pode virar parceria,
amizade ou sociedade doméstica. Pode funcionar e, ao mesmo tempo, perder aquilo
que um dia a tornou especial: atração, desejo, flerte, curiosidade, vontade de
estar perto.
Por isso, melhorar um
relacionamento não é apenas aprender a discutir menos. É também manter vivo o
que faz com que duas pessoas continuem se escolhendo.
Tudo começa pela própria escolha.
Nem todo mundo tem condições de despertar amor e atração em qualquer pessoa. É
preciso haver alguma base de admiração, interesse e desejo. O amor pode surgir
de repente ou crescer com a convivência. Às vezes um relacionamento começa de
forma mais racional e o amor aparece depois. Mas, se ele nunca aparece, a
relação pode até ser estável e correta, mas tende a ficar vazia.
Quando gostamos realmente de
alguém, não vemos essa pessoa de maneira neutra. O amor funciona como uma
lente. Tendemos a dar mais peso às qualidades, a relativizar defeitos e a
interpretar certas falhas com mais benevolência.
O contrário também acontece.
Quando se acumulam mágoas, desprezo, traições e desconsideração, a lente pode
se inverter. A pessoa passa a enxergar quase tudo que o parceiro faz de maneira
negativa.
Por isso, uma pergunta importante
é: eu ainda vejo meu parceiro como alguém valioso ou já estou olhando para ele
principalmente através das mágoas?
Outra questão é simples: é bom
estar junto?
A conversa ainda interessa? Existe
curiosidade pelo que o outro pensa? Há prazer na presença? Um se sente acolhido
pelo outro? É possível discordar sem transformar toda diferença numa guerra?
Um relacionamento pode ter poucas
brigas e estar completamente sem vida.
Essa falta de vida aparece muito
quando as pessoas deixam de se mostrar como são. Param de se posicionar,
escondem opiniões, evitam contrariar o parceiro e começam a funcionar de
maneira previsível para não criar problemas.
Só que pessoas interessantes
mudam. Aprendem, descobrem coisas, mudam de ideia, criam projetos, se empolgam,
se decepcionam, voltam atrás. Continuam vivas.
Quando alguém se apaga para
preservar o relacionamento, pode acabar destruindo justamente aquilo que fazia
o outro se interessar por ela.
O casal precisa também proteger o
papel amoroso. Com o passar dos anos, surgem muitos outros papéis: pai, mãe,
profissional, administrador da casa, organizador das contas, companheiro de
rotina. Se o papel amoroso desaparece, sobra uma boa equipe, mas talvez já não
sobre um casal.
Flertar importa. Olhar importa.
Demonstrar atração importa. Beijar importa. Procurar a presença do outro
importa.
Não porque isso deva virar
obrigação, mas porque, se todos os comportamentos amorosos desaparecem, é
difícil esperar que o sentimento fique intacto.
A sexualidade também entra aí. Não
é apenas uma questão de frequência. É perceber o outro como alguém desejável,
sentir-se desejado, provocar interesse, manter alguma curiosidade e algum
erotismo.
Quando o sexo desaparece ou vira
apenas hábito, é preciso perguntar o que aconteceu. Pode haver questões de
saúde, idade, hormônios ou medicamentos. Mas também pode haver ressentimento,
perda de admiração, rotina e distanciamento.
Nesse caso, a pergunta não deveria
ser apenas “como fazer mais sexo?”, mas “o que aconteceu com o desejo?”.
Também não existe relacionamento
sem divergência. O problema não é discordar. É o que fazemos quando
discordamos.
Quando a conversa vira ataque,
humilhação, vingança ou tentativa de vencer o outro, deixou de ser uma
tentativa de resolver alguma coisa. Virou uma disputa de poder.
Casais saudáveis não concordam em
tudo. Eles aprendem a resolver o que pode ser resolvido e a conviver com parte
do que não pode.
E existe uma pergunta ainda mais
difícil: por que vocês continuam juntos?
Porque ainda gostam de estar
juntos? Porque há amor, desejo, apego, admiração?
Ou porque há filhos, patrimônio,
hábito, medo de ficar sozinho ou receio de começar de novo?
Essas razões podem manter um casal
unido por muito tempo. Mas continuar junto não é a mesma coisa que continuar
amorosamente ligado.
Talvez uma das perguntas mais
importantes seja esta:
Se você conhecesse seu parceiro
hoje, ainda teria curiosidade por ele?
E talvez outra seja ainda mais
importante:
Se todas as obrigações e barreiras
desaparecessem, você ainda escolheria ficar?
Um relacionamento amoroso não
precisa conservar a intensidade do começo.
Mas precisa conservar alguma coisa
viva: vontade de estar perto, admiração, curiosidade, atração, prazer na
convivência e a sensação de que ainda vale a pena continuar escolhendo aquela
pessoa.
(Editado pelo ChatGPT)
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