quinta-feira, outubro 15, 2026

Você está fazendo seu parceiro gostar menos de você?

 


Os relacionamentos amorosos já possuem forças poderosas que favorecem sua continuidade. Uma delas é o comprometimento: os parceiros têm um projeto de vida em comum e a disposição de preservar a união. As barreiras externas contra a separação ocupam um papel muito importante. Elas são os custos e obstáculo externos contra a separação (aumento de despesas, custos sociais, perda de comodidades etc.) Outra é o apego, que tende a se desenvolver quando existem condições favoráveis. A sexualidade também pode continuar proporcionando atração, prazer e aproximação ao longo dos anos. Além disso, quando amamos alguém, frequentemente enxergamos suas características de maneira mais favorável. Portanto, existem mecanismos psicológicos que trabalham a favor da manutenção do relacionamento.

O grande desafio talvez não seja criar continuamente motivos para amar, mas evitar destruir aqueles que já existem. E isso pode acontecer nas pequenas atitudes cotidianas: reclamar de tudo, corrigir constantemente o parceiro, criticar sua aparência, desvalorizar suas opiniões, fazer cobranças excessivas, responder com impaciência, interromper suas falas, ridicularizar suas iniciativas, ignorar suas conquistas, não demonstrar interesse pelo que ele conta, deixar de cumprimentá-lo com carinho ou prestar mais atenção ao celular do que à sua presença. Isoladamente, muitos desses comportamentos parecem insignificantes. Repetidos diariamente, porém, podem transformar o relacionamento em uma fonte de experiências desagradáveis.

Essas experiências favorecem a formação de atitudes negativas em relação ao parceiro. Aquilo que antes parecia engraçado passa a ser irritante; uma observação inocente é interpretada como crítica; uma distração é percebida como desconsideração. Surgem mais discussões, respostas hostis, afastamento e ressentimento. As brigas alimentam atitudes negativas, que provocam novas brigas. Forma-se um círculo vicioso que enfraquece o apego, a admiração, o desejo sexual e até a disposição de preservar a união.

Por outro lado, tratar o parceiro com polidez, respeito e consideração, demonstrar interesse por seu bem-estar, ouvi-lo, reconhecer suas qualidades e valorizar suas iniciativas ajudam a preservar as condições para que o amor continue funcionando. Isso não significa que novidades, romantismo e esforços para melhorar o relacionamento sejam desnecessários. Significa reconhecer que evitar comportamentos destrutivos pode ser tão importante quanto produzir experiências positivas.

Que tal fazer uma autoavaliação? Pense em como você tem tratado seu parceiro ultimamente. Quantas vezes você reclamou, criticou, corrigiu, ignorou ou respondeu com impaciência? Quantas vezes demonstrou interesse, admiração, carinho e consideração? Como você se sentiria se fosse tratado da mesma maneira? E, principalmente, suas atitudes estão fazendo com que seu parceiro goste cada vez mais ou cada vez menos de conviver com você?

Talvez muitos casais não precisem fazer coisas extraordinárias para melhorar a relação. Precisem, antes de tudo, parar de fazer as coisas comuns que, pouco a pouco, estão destruindo o que existe de bom entre eles.

(Editado pelo ChatGPT)

sexta-feira, outubro 09, 2026

Relembrar é, em parte, reviver

 


Quando falamos sobre uma experiência ou nos lembramos de um acontecimento, de certa forma, voltamos a vivê-lo.

As lembranças podem reavivar percepções, pensamentos, sensações e emoções que experimentamos na situação original. Dependendo da intensidade da recordação, podemos até sentir novamente parte da alegria, da tristeza, do medo ou do entusiasmo daquele momento.

Mas recordar não é apenas reviver. É também uma oportunidade de compreender e reelaborar o que aconteceu.

Ao relembrarmos uma experiência, podemos examinar melhor o que sentimos, como interpretamos os acontecimentos e por que reagimos de determinada maneira.

Há uma diferença importante: agora não estamos mais naquela situação.

Sabemos o que aconteceu depois, conhecemos o desfecho e podemos olhar para a experiência com outros conhecimentos, outras perspectivas e, muitas vezes, com maior segurança emocional.

Essa distância entre o acontecimento original e sua recordação cria uma oportunidade valiosa: podemos reinterpretar o que vivemos, modificar avaliações, descobrir novos significados e até transformar nossa relação emocional com aquela experiência.

O passado não pode ser modificado, mas a maneira como o compreendemos e como ele nos afeta pode mudar.

Relembrar, portanto, não precisa ser apenas uma viagem ao passado. Pode ser também uma maneira de transformar o presente.

Meu comentário: O ponto mais interessante da sua reflexão é a distinção entre reviver uma experiência e revivê-la sabendo que não estamos mais nela. Essa diferença permite que a lembrança seja examinada a partir de outro referencial.

Há também uma ideia psicológica importante: a recordação não é uma reprodução perfeita do acontecimento. Ela é uma reconstrução, influenciada por nosso estado atual, nossos conhecimentos e nossas interpretações.

domingo, outubro 04, 2026

Você ficou invisível no seu casamento?

 



(Ilustração do ChatGPT)

Há casais que não se separam. Apenas desenvolvem uma sofisticada capacidade de não se notar.

Continuam dividindo a casa, o café, as contas, o controle remoto e, em alguns casos, uma quantidade respeitável de senhas de streaming. Sabem onde o outro guarda os óculos, que lado da cama prefere e em que momento da manhã é melhor não iniciar uma conversa séria.

Conhecem-se tanto que, às vezes, deixam de se olhar.

No começo, era diferente.

Um sorriso parecia enigmático. Um toque tinha importância. Uma frase banal podia ser repetida mentalmente durante horas. Hoje, às vezes, a frase mais marcante do dia é:

“Você viu onde deixei a chave?”

A convivência tem dessas coisas.

Ela aproxima.

E ela acostuma.

Com o tempo, o extraordinário corre o risco de virar mobília.

Não porque tenha deixado de ter valor, mas porque está sempre ali. E aquilo que está sempre ali sofre de um problema sério: a atenção humana gosta muito de novidades.

Por isso, um relacionamento pode continuar bom e, ainda assim, perder energia. Pode haver respeito, apoio, lealdade, companheirismo.

Tudo excelente.

Quase uma empresa muito bem administrada.

Mas o amor amoroso exige alguma coisa além da boa gestão.

Precisa de admiração.

Precisa de atração.

Precisa de uma pequena zona de mistério.

Precisa daquela sensação de que o outro ainda não foi totalmente catalogado, fichado e arquivado.

Às vezes a monotonia vem porque a pessoa realmente ficou previsível.

Mas, em outras vezes, o problema está no departamento de observação.

O parceiro continua mudando, mas já foi promovido à categoria de “conhecido demais”.

“Eu sei exatamente como ele é.”

“Eu sei exatamente o que ela vai dizer.”

Frases perigosíssimas.

Porque, quando achamos que já sabemos tudo, paramos de perguntar.

E, quando paramos de perguntar, logo descobrimos que o outro ficou “sem novidades”.

Quando gostamos muito de alguém, costumamos interpretar bem.

Se o parceiro se atrasa, pensamos: “coitado, deve ter acontecido alguma coisa”.

Depois de alguns anos e algumas mágoas, o mesmo atraso pode produzir outra teoria:

“É evidente que não se importa comigo.”

O fato é o mesmo.

Mudou a legenda.

O problema deixa de ser apenas o que o outro faz.

Passa a ser a lente através da qual o vemos.

E, enquanto isso, o mundo continua cheio de pessoas novas.

Isso é um inconveniente estrutural.

A pessoa nova chega sem histórico.

Não participou das discussões sobre dinheiro.

Não sabe quem deveria ter ligado para o encanador.

Nunca deixou uma toalha molhada no lugar errado.

É quase impossível competir com alguém que ainda não teve tempo de nos irritar.

Às vezes, o que seduz fora não é exatamente outra pessoa.

É a sensação de começo.

É voltar a ser olhado com curiosidade.

Voltar a contar histórias que o outro ainda não conhece.

Voltar a parecer surpreendente.

Até o ciúme, às vezes, faz milagres curiosos.

O parceiro que estava discretamente integrado à paisagem pode recuperar valor assim que alguém demonstra interesse.

É a versão adulta do brinquedo esquecido no chão que se torna fascinante quando outra criança resolve pegá-lo.

Mas provocar ciúme de propósito é uma estratégia pouco recomendável.

Pode aumentar a atenção.

Pode também transformar a sala de estar em zona de conflito.

E, ainda assim, muitos relacionamentos continuam durante décadas.

Há os filhos.

Há a casa.

Há os amigos.

Há o patrimônio.

Há as fotografias.

Há os lugares que só fazem sentido porque foram frequentados juntos.

Há principalmente um “nós” que foi sendo construído sem anúncio oficial.

Depois de muitos anos, separar-se não é apenas deixar uma pessoa.

É desmontar uma pequena civilização.

E civilizações, como sabemos, têm infraestrutura.

Talvez por isso seja importante distinguir três coisas.

Uma é continuar junto.

Outra é gostar de continuar junto.

E outra, bastante diferente, é ainda olhar para o outro e pensar:

“Que pessoa interessante.”

Talvez o amor duradouro não dependa de conservar para sempre a febre do começo.

Seria cansativo.

Ninguém conseguiria pagar contas, levar o carro à oficina e trabalhar em estado permanente de paixão.

Talvez dependa de algo mais simples e mais difícil:

continuar prestando atenção.

Depois de muitos anos, talvez a pergunta não seja:

“Você ainda me ama?”

Talvez seja:

“Você ainda me vê — ou eu já virei parte da decoração?”

(Texto editado pelo ChatGPT)